Confissão de um dos fundadores, por Tiago
P: Comecemos pelo básico. Como começou realmente a BAREBOUND?
Sinceramente? Por necessidade.
Queria sapatos barefoot de que realmente gostasse. Não "ok". Não "bons o suficiente". De que eu gostasse mesmo. E não existiam.
No início, nem se tratava de mim. Estávamos a tentar encontrar sapatos minimalistas giros para as crianças venderem, e não conseguíamos encontrar nada que nos agradasse. Tudo parecia insípido e convencional.
Então, um dia, simplesmente disse: "Que se lixe? Vou fazê-los eu."
Criámos o modelo infantil. Deu certo. Cresceu rapidamente. E depois olhei para ele e pensei: "Espera lá... também quero isto para mim." Eu estava com inveja do meu próprio produto. Decidi então criar sapatos para adultos. E foi aí que a BAREBOUND começou verdadeiramente.
P: Muitas pessoas imaginam que gerir uma marca é algo glamoroso. Será mesmo?
De todo.
As pessoas acham que é um trabalho tranquilo, criativo e cool. Mas, na maior parte do tempo, é fazer as mesmas coisas vezes sem conta. Resolver problemas, tomar decisões, lidar com o stress, apoiar ideias loucas, tentar que tudo funcione e, ainda assim, tentar divertir-se com as pessoas com quem trabalha.
Não é glamoroso. É trabalho.
P: Qual é a parte que ninguém vê?
Contabilidade. Reservas. Números. Fluxo de caixa.
Garantir que a nossa empresa não desaparece amanhã. Ninguém publica isto no Instagram. Mas esta é a realidade.
P: Alguma vez pensaste em desistir?
Nunca. Nem uma única vez. Porque a BAREBOUND não é apenas um negócio para mim. A marca tem um propósito. Trata-se de ajudar as pessoas a crescer. Ajudá-las a sentirem-se melhor. Ajudá-las a serem mais confiantes e mais autênticas.
Não se desiste de algo assim.
P: Porquê sapatos minimalistas? Porque te importaste tanto com isso?
Porque vi a diferença no meu próprio corpo.
Menos dor. Menos stress. Mais energia. Melhor qualidade de sono. Tudo mudou. E percebi que os sapatos barefoot são apenas o início. Não se trata apenas de sapatos largos e solas finas. Trata-se de criar um corpo e uma mente melhores, começando pelos pés.
É um movimento.
P: Quando as pessoas perguntam "Então... vendes sapatos?", o que pensas?
Eu sorrio sempre. Porque, sinceramente, acho que não vendemos nada.
Oferecemos algo às pessoas. Damos-lhes permissão para serem elas próprias. Para cuidarem do seu corpo. Para correrem riscos. Para crescerem. Para se divertirem a fazê-lo.
A BAREBOUND não tem a ver com sapatos. Tem a ver com ousadia, tal como digo sempre "Be BOLD".
P: O que significa realmente "ser ousado" para ti?
Não são apenas frases do Instagram. É a vida real.
É dar um passeio à chuva sem se importar com nada. É ir à praia às 11 da manhã só para sentir a água nos pés, mesmo que isso implique trabalhar até às 23 da noite. É perder muito dinheiro e tempo em protótipos porque não são suficientemente bons para a tua comunidade.
Isso é ser ousado.
P: Que tipo de pessoas queres que usem BAREBOUND?
Os que dão.
Pessoas que dão mais do que recebem. Pessoas que dão o melhor de si quando ninguém está a ver. Pessoas que se preocupam com os outros. Pessoas que querem um mundo melhor, mesmo que isso implique ir contra o que é considerado normal.
Esta é a nossa comunidade.
P: Toda a gente sabe que a Ana é importante. Mas quão importante é realmente?
Sejamos honestos. Ela é responsável por 95% deste negócio. Ela trata de tudo.
Sou apenas o tipo engraçado com um plano louco. Sem ela, nada funciona. Essa é a verdade.
P: Qual foi o teu maior erro até agora?
Não ter começado mais cedo fez-me perder dois ou três anos. Dois ou três anos de energia e ritmo. Isso dói. Mas também me motiva todos os dias.
P: Onde queres que a BAREBOUND esteja no futuro?
Não vejo a BAREBOUND apenas como uma grande empresa de calçado barefoot. Quero que seja um ambiente para pessoas ousadas. Um lugar onde podes ser tu mesmo. Cuidar do teu corpo. Cuidar dos outros. Crescer. E acima de tudo divertires-te enquanto o fazes.
Essa é a visão.
P: O que te assusta em relação a ficares maior?
Perder a ligação às pessoas. Deixar de me preocupar profundamente com cada pessoa. Tornar a BAREBOUND apenas em mais uma marca. Se isso acontecer, falhamos.
P: Por fim, o que dirias a alguém que tem medo de correr riscos?
Se te preocupas profundamente com algo e acreditas que é o melhor para ti e para os outros, simplesmente segue em frente. Sê ousado. Não tens nada a perder.
A coragem não tem a ver com loucura. Tem a ver com fazer o que se acredita ser o mais certo, mesmo quando os outros discordam.
P: Só mais uma frase. Complete-a: “Eu não criei a BAREBOUND para ser…”
…não criei a BAREBOUND apenas para ser uma marca de calçado. Criei-a para ser um movimento.
E estamos apenas a começar.



